terça-feira, 19 de junho de 2018

444 Como fazer uma Bola de Meia







Como fazer uma Bola de Meia

Adultos viram crianças,
se soltam,
voltam à infância.

E crianças, médias, grandes, pequenas
brincam que brincam, apenas...

Como fazer uma Bola de Meia
Como fazer:
muito simples.

Como fazer:
muito simples.

Materiais pra compor a bola:
1 meia, pode ser nova, pode ser velha

1 pedaço de pano para enchimento.
Pode ser uma camiseta velha,
um pedaço de pano rasgado,
um monte de palha,
um monte de folhas,
algodão de estofador...
Do jeito que quiser quem fizer.

1 cordão ou um elástico
- cerca de 1 metro, pra menos,
se quem fizer,
quiser uma bola pra inventar brincadeiras.


“Equipamentos”
1 agulha
1 linha ou barbante ou fio de nylon
1 tesoura pra cortar a linha


Feitura:
a) Faça um bolo com o enchimento que vai usar
(pedaço de pano, pedaço de algodão, palha, sei lá... )
- tipo bola, não precisa ser perfeito.

b) Enfie este bolo dentro da meia, até o fim.

c) Amarre um pedaço de barbante ou um elástico
de cerca de pouco menos de 1 metro
ao redor da meia, pertinho do bolo que foi feito.
Vai ficar uma parte da meia que não foi enchida de nada

d) Enrole um pouquinho a meia
e a vire meia pra cobrir de novo a bola.
O barbante ou elástico antes amarrado vai junto
(pra, ao final do fazimento, sair da bola, como um cordão umbilical)

e) Procure um jeitinho de costurar a boca da meia ao corpo da bola.

Pronto! Parabéns!
Agora é treinar embaixadinhas, cabeceamentos,
bambolês, roda-roda...

Até pra socar, dar socos, botar raivas pra fora... servem...
e mais o que cada um inventar...

Percebo, agora, que é um brinquedo ótimo
pra pequenos espaços e apartamentos.
Crianças adoram.
E adultos viram crianças.
Obá!

Inventei outro dia.
Que alegria!

Luiz Fernando Sarmento

Rio de Janeiro
Brasil
14 de agosto de 2016



domingo, 17 de junho de 2018

inesperado








inesperado

A vida, querida, como o avião, como a alma, lenta e turbulenta, rápida, tépida, calma. Ou não. Isto, nas nuvens. Cá inrriba, anjos indicam Deus por perto. Milagre, pesadão, voa o avião. Eu, tento, num saio do chão.

Cada dia, novo como um ovo, igual como habitual. Isto quando o tempo menos que um momento. Tudo dúvida, passatempo, nadamos no nada. O que fica, a risada. Laço mesmo, o abraço. Mais que fica, a gargalhada. Pica, picada. Amor que fica.

No fundo, mesmo neste mundo, incrível, vagabundar é possível. Há que tentar,
uma Arte. Difícil é suportar alegria todo dia.

Veja você, ser pai é paidecer. E mãe, amãementar até morrer de amar. Amor de mãe, eternamente terno. Céu e inferno, isto de eterno. Certo mesmo, o presente. Sente. Tente. Nunca igual, como habitual, normal.

Temos tanto em comum. Talvez sejamos um. Destino, desde menina. Sina. Bonjour, amour. Agora é isto a vida, voar sem eira nem beira, brincadeira. Sinto, desaperto o cinto.

*
Jovem, tou no ar, tou no chão. O coração é um mar, a cabeça um furacão. Alegria na minha alegria, tristeza somada à minha. Desfiladeiro, vulcão. Paixão, mergulho, paixão. 

Nem sempre, o casamento, por exemplo. Você sofre com o que sou. Eu sofro com seu sentimento. Passamos a vida assim: acolho seu lamento, você chora por mim. Em mim censura o que, em você, não se aventura. Passada a loucura, passada a paixão, não sou seu pai bom nem minha a mãe pura. Loucura, tormento, suportável tortura. Anta, jumento, capenga procura. Não lhe dou a segurança que me pede, não me dá o colo que imploro. Um muleta do outro. De repente, bodas de ouro.

Às vezes, o que me proibo, em outros critico. Se não me permito, a outros inibo.

Ai, ui, ai. Quero mamãe, quero papai.

*

Lembretes. Meu corpo é um convite pro meu enterro. Minha razão, um acinte, este meu erro. Quando acordo, acorda a razão. Se adormeço, inconsciente visão.

O que pro futuro planejo, é o que hoje desejo.

Se deixo vagar minha mente - bem, se bem devagar - esqueço, desleixo, vago no ar.

Talvez, o que hoje falo, hoje tem um sabor. Se amanhã me calo, amanhã outro valor. Uma decisão a cada momento. Eternas decisões indecisas. Eterna indecisão, lamento. Nunca decisão precisa.

*
Mentiras. Olhos, ouvidos, nariz percebem uma situação. A realidade contradiz o rádio, jornal, televisão. Que má sorte, associam o cigarro à vida, veja a publicidade. É a morte.

Muito do que penso verdade - novela, show, ficção - vem do que me disseram, notícias, informação.

Verdades mesmo não eram. Meio falso, meio vão. Cortinas, desvios, quimeras. Meios d'incomunicação

*
Acredito mais na realidade que percebo. Desconfio do que me chega pela internet, através de quem não conheço. 

E também desconfio do que me vem através dos grandes jornais, rádios, revistas, TVs. Misturas de ficção e realidade. Maldade.

Mesmo me sentindo mal informado socialmente - e, assim, um tanto impotente - tenho me alegrado e fortalecido no trato amigo com amigos, nos cuidados comigo e com quem me relaciono e convivo. Noutro espaço, nem sei nem me acho. Já, aqui, me sinto potente e vivo.






Luiz Fernando Sarmento










inesperado

segunda-feira, 11 de junho de 2018

695 Passatempo

passatempo - uma vida incomum como qualquer um 54







Passatempo


Vagueio. Hoje acordei assim, diferente de mim. Sinto o que o outro sente. Sua alegria me alegra, sua tristeza me entristece. Minha razão diz não, a emoção emerge e prevalece. Talvez eu seja mais que só eu, talvez eu seja parte de um todo, como outros.

Onde vou, carrego o que sou. Muda a paisagem, o ar, o tempo. Mudam os cheiros, os gostos, os sons. Eu permaneço. Tudo tão insólito, contraditório, sou um e sou outro, sou só e sou o todo, simples e complexo.

Desejo ser o que não sou, sofro. Como diz o outro, mentir pra mim não posso. Ficam as esperanças, que passem as tempestades, que venham as bonanças, que se mostrem minhas metades, que saia o adulto, que me chegue a criança. Minha difusa memória vislumbra outra história, contínuas vida e morte, ausentes tempo e espaço, azar e sorte, fêmeo e macho. Nem imagino, perdido me acho.
*
Um dia fui anestesiado, minhas tensões dissolvidas, um fluxo constante, um vai e vem. Eu, meio firme, meio tonto, só a pulsar, ora infinito, ora ponto. Eu era um e era o todo.

Êxtase assim, mesmo diferente, quando me sentei naquele salão mineiro, em meio à pequena multidão, à espera do Dr. Fritz. Eu, meio crítico, meio ausente. De repente, me sobe um fluxo, uma sensação que não sabia, uma nunca antes vivida alegria.

Também não entendi aquele outro dia, antes, lá nas Holandas. O ácido bateu, me pegou de supetão, céus ao léu, eterno enquanto durou. Também momento eterno, o inferno, sofrimento posterior. Passou.

Tudo passou, como passa tudo, mas ficou a fé em mim, no que sou. É que, inda sinto, a fé vem da experiência. Como em São Tomé. Talvez sorte. Lá se foram, um tanto, o medo da vida, o medo da morte.
*
Antes, há pouco, era mais difícil suportar alegrias. Tristeza era fácil, matava no peito todo dia. É que, na infância, me tocou uma cultura pesada, inesperada, a inocência trocada pelo medo daquele fogo eterno, o amor subjugado pelo temor.

Ai de mim, lamento, me chegou assim, em forma de mandamentos: todo prazer é pecado. A todo pecado, castigo. De cada castigo, medo... se pecador é consigo. Tristeza, remorso, culpa. O paraíso perdido. Crente, clemente, confessa. Curva, ajoelha, reza. Seu amor-próprio despreza. Volta a ser comedido.
*
Hoje, racionalizo, compreendo. Esta razão, um tanto, me acalma. Mas, agora sei, outro perigo, a emoção emerge e prevalece.

Associo, então, o prazer ao castigo. Quase automático: se vem prazer, lá vem castigo. Pra evitar o castigo, evito o prazer. Por isto – intuo, não só comigo - no dia a dia, difícil suportar alegrias.

Como viver, bem, neste mundo, do jeito que ele é, a toda hora me pergunto. E vou e fico e vivo. Sei, já, não posso sentir o que o outro sente, não posso viver o que o outro vive. Constante aprendizado, isto de viver. Tenho medo de meus medos. Que fraquezas me escondem minha aparente coragem? E este meu eventual complexo de superioridade esconde o de inferioridade?
*
Em cada alegria, vivo. Em cada tristeza, morro. Ao meu lado vivo, peço socorro. Enfim, sou remédio de mim. Escolho que vivo. E consigo, a cada cuidado que tenho comigo.
*
Do que me lembro, antes, na minha Montes Claros adolescente, anos 50, comunistas, negros, gays, crentes sofriam discriminações semelhantes às que hoje sofre quem vive diferente da gente. Tento me estar atento, pra não perder, de novo, oportunidades de reconhecer quem me acresce. Por outro lado, meus cabelos grandes afastam de mim quem me discrimina.
*
Salinas, Macondo, Tarouca, tantos lugares, o mesmo lugar? Acordei assim, aqui, hoje, em Portugal. Esta preguiça misturada, vontade indefinida de escrever o que bem me vem.



Luiz Fernando Sarmento













terça-feira, 5 de junho de 2018

imenso vazio






Imenso Vazio

Mais do que falo
Mais do que penso
Sou o que sou
Sou é imenso

Faço que fico
Falo que vou
Baixos e picos
Sou e não sou

Em cada quebrada
Sou tudo, sou nada

Sinto não sim
Vôo não vou
Tenso não sonho
Sim não eu sou

Num momento só cagaço
O pavor do mais medonho
Dúvida do faço não faço
Choque do ter e do ser
O real a me chamar do sonho
Triste alegria, dor e prazer

Aqui, lá, em todo lugar
Pulso, pulso no meu campo
Surjo, desapareço, tamanho
Presente amplio o finito
O infinito acompanho








fofocas






Esta ouvi do Dr. Fritz.

Até hoje me ajuda
medir as palavras...

      Joaquim falou pro Pedro:
      tenho algo pra lhe contar
      sobre a Maria...

Pedro pergunta pro Joaquim:
o que você vai me falar,
é bom pra Maria?

      E o Joaquim:
      não...

Pedro, de novo, pro Joaquim:
e é bom pra você?

      O Joaquim:
      não...

E pra mim, Joaquim,
é bom pra mim?

      O Joaquim:
      não, não...

Pedro pede:
então não me conta não...










segunda-feira, 4 de junho de 2018

Tento saber mais sobre o Brasil e o mundo...
















falsas notícias - uma vida incomum como qualquer um 53







falsas notícias

repetidas, repetidas, repetidas,
dão, ao falso,
vida

*
Às vezes tenho vontade de dialogar com aquela pessoa que fala na Tv. Mas ela não me ouve. Ela só fala e fala. Repete tanta coisa, que acabo acreditando no que me fala. Se não me cuido, acredito mais no que me fala a Tv do que na realidade vivo.

Com o rádio já era assim. O locutor fala, todo mundo escuta. Não há diálogo. Uma pena. Com a revista, também. Com os jornais e mais.

Parei de escutá-los, tanto os locutores das rádios quanto os apresentadores das tvs. E passei a me escutar mais, a mais acreditar no que sinto e vivo. Tenho sido mais feliz.

Minha realidade é variada. E varia um tanto em função do que alimento. Se fico pensando – alimentando – só desgraças, minha realidade fica desgraçada. Se me cuido e escolho o que me alimenta – pensamentos, palavras, atos – minha realidade passa a ser o que escolho.

Tudo tem sido novo, pra mim como, imagino, para cada um. Nunca vivi o que agora vivo. E, como tudo que é novo é desconhecido, volta e meia estou com medo. Tenho medo do que desconheço. Tenho medo do novo.

Quando faço algo novo é um aprendizado. Tento, tropeço, erro, retento, acerto. A novidade, agora, tem sido a minha consciência do que vivo. É que descobri, novidade pra mim, que vivo somente o que percebo do que sinto. O que não percebo, não vivo. Meus sentimentos, intuo, expressam o que vivo. Devo, então, prestar atenção a meus sentimentos, percebê-los.

Quando presto atenção a meus sentimentos, e percebo o que sinto, vem a curiosidade de saber o que causa, as origens destes sentimentos.

Surpreso, confirmo. Pequenas escolhas que faço antecedem e provocam os sentimentos que tenho. Estes mesmos sentimentos que, só quando percebo, vivo.

Assim, se ligo o noticiário da Tv e da rádio, se leio as manchetes dos jornais e revistas, sinto indignação, raiva, tristeza, impotência. É uma contradição. Às vezes, a realidade ao meu redor me alegra. Mas me entristeço, me enraiveço, me indigno quando – através daqueles jornalistas e locutores e apresentadores de rádios e tvs – fico sabendo de maldades longínquas. Muitas vezes, misturadas, realidades e ficções.

A história sobre a realidade varia, de acordo com o contador. Se duas pessoas assistem ao mesmo fato, as histórias que contarão serão diferentes. Experimente. Também a História muda com o contador.

A História do Brasil, por exemplo, é narrada pelos chamados vencedores. Os contadores contam suas versões da História. Não sei como morreram Getúlio, Juscelino, Jango, Castello Branco, Costa e Silva, Ulisses Guimarães, Tancredo, Eduardo Campos, Teori Zavaski, Marielle Franco. E não sei de outros que morreram e nem soube.

A História dos Estados Unidos, também não sei. Intuo, sinto, que quaisquer informações sobre guerras das quais eles participam me chegam através dos monólogos das tvs, rádios, revistas, jornais. E estes veículos, por exemplo, recebem informações, talvez padronizadas, das agências de notícias – internacionais, nacionais. Agências, que, por sua vez, quando relativas a invasões e guerras externas, talvez recebam informações originais de uma só fonte oficial norte-americana.

Sabemos, o soldado, como quem manda, é responsável pelo que o tiro provoca. O jornalista, como quem manda, também é responsável pelo que a fofoca provoca.

Tudo tão, digamos, simples. E, ao mesmo tempo, tão complicado. Desconfio, não confio no que estes jornais, rádios, tvs, revistas me informam. São, a meu ver, tendenciosos. Representam interesses que não são meus nem de muitas outras pessoas.

Sinto, somos, os das gerações próximas à minha, somos os últimos neuróticos. Porque, se psicopata for aquele que faz mal a si mesmo e a outros... e não se sente mal por fazer o mal – não sente culpa – nestes nossos tempos atuais, saímos de cena, nós, os neuróticos, e entram em cena os psicopatas.

Resta a esperança de um fato novo que tudo mude. Um novo Cristo, por exemplo. Ou uma invenção mais forte que o avião, que a internet, que os meios de comunicação. Ou, mistério, fato novo transcendental, algo que provoque emoções que despertem em cada um de nós nosso amor adormecido. E nos extasie.




Luiz Fernando Sarmento









quinta-feira, 31 de maio de 2018

poliamor - uma vida incomum como qualquer um 52


 -






poliamor


“Amar sem limites.” Amar um e outra, uma e outro, às claras. Amar tanto que desejo o bem do outro quanto meu próprio bem. Desejar e realizar este amor pleno, aclamado por quem, também, me ama. Ama tanto que, como eu, deseja meu bem e desconhece os ciúmes.

Meu amor, o poliamor, me permite amar aqui e ali, ao mesmo tempo. Este amor que me possibilita ser amado lá e cá e libera meus sentimentos.

No amor platônico, amo o que desejo. E desejo o que me faz falta, desejo o que não tenho. “Amo o que não tenho. E, quando tenho, já não amo mais.“

No amor aristotélico, amo o que tenho, amo o que sou. Este o amor que aprendo. E, quando amo, me satisfaço com meu amor. Uma alegria, amar o que sou, o que é.

Sinto o amor crístico quando amo a todos, indiscriminadamente. Amo ao próximo, quem seja o próximo, como a mim mesmo. Sou amor quando amo a mim, a outra, a outro, a Humanidade. E amo, mais que à Humanidade, amo a vida.

*

E, no dia a dia, lerdo e gaguejante, como nesta manhã dominical, me alegro quando confirmo, o amor é lindo e me envolve. A vida tá boa, do jeito que tá. Acho é bonito estes equilíbrios dinâmicos, sinais de vida em cada vida amiga ao redor. Nada falta aqui, nem o supérfluo. Pura alegria. Como o filósofo diria, felicidade – aquele momento que desejo não acabe.

*
Lembro, me lembro, tudo um tanto relativo. O cheio existe porque existe o vazio. Existe a tristeza porque a felicidade existe. O calor é o oposto do frio. O amor, o ódio. A riqueza, a pobreza. A escuridão, a luz. E um não exclui o outro.

No mesmo momento, eu – como, imagino, outras pessoas – penso em opostos, sinto contraditórios sentimentos, só vivo o que percebo. E, tantas vezes, eu, aqui, a perceber só a tristeza, com a felicidade ao meu alcance. Tudo tão simples e tão complexo. Tudo ao mesmo tempo, agora e aqui. Rápido como um momento. Na divagação, reconheço o que tenho em mim, escolho, me perco, me encontro.

*
Parece que, há muito tempo, nos primórdios da humanidade, viviam grupos de gente em diferentes estágios de evolução integral. Neandertais, pitecantropos, sapiens, tudo ao mesmo tempo, na mesma época, em territórios diferentes.

Talvez como agora, ao mesmo tempo, às vezes no mesmo território, gente a construir a guerra, gente a praticar a paz. Alguns sentem aquele vazio amoroso que não sabem de onde vem. E buscam suprir esta falta de afetos, este vazio, com objetos. Círculo vicioso, os objetos não suprem as faltas de afetos. Sentem, estes, que o mundo lhes deve. E sofrem, em suas aparentes riquezas.

Outros – às vezes os mesmos, o amor desperto – amam e se sentem supridos. Contentes no presente. Contentes no momento do primeiro passo pro abraço, da escolha do que deseja e é.
*
Este amor liberto tudo muda. Quem ajudado, agora ajuda. Eu, antes feio, me torno belo. Parece possível – a mim, a cada um que deseje, usufrua das possibilidades e se movimente – experimentar seu caminho do coração. O amor é um caminho. Qualquer forma de amor “vale a pena, se a alma não é pequena”.

Tento e aprendo, só dou o que tenho. Só posso amar a outro quando amo a mim mesmo. Naturalmente, de acordo com meu desejo, possibilidade, movimento.

Aqui se inicia o ciclo virtuoso.



Luiz Fernando Sarmento









novidades e repetições - uma vida incomum como qualquer um 51






novidades e repetições


Quando falo de mim, sou mais escutado do que quando falo de outros. Talvez porque, quando falo de mim, falo do que vivo, vivi. Minha fala inclui, consciente ou não, variáveis que me compõem. E quando falo de outros, sou parcial, falo do que imagino vivem, viveram.

Evito falar do que não me faz bem, nem a outro nem a ninguém. Meus pensamentos, atos, sentimentos expressam quem, naqueles momentos, sou.

Por outro lado, talvez meus vícios sejam meus vícios porque repito, repito, repito o que já sei e me faz sentir seguro. Talvez repita o que já sei porque tenho medo do novo. E o que é, pra mim, novo, não conheço, é mistério. Talvez, também, tudo, a cada momento, seja novo. É que nunca vivi o que agora vivo e o que, depois, viverei.

Imagino um tempo, em qualquer lugar, em que a boa vontade impere. Aqui, a liberdade de um é limitada pela liberdade do outro. Cada um é o que deseja, de acordo com sua possibilidade e movimento.

Aprendizado constante, o tropeço, o erro é considerado experiência, base para o acerto. As qualidades individuais se somam. O conhecimento de um é disponibilizado para todos. O produto do trabalho, também. O amor é cultivado, amo a outros como a mim. Prioridade constante, o bem-estar de um e todos. Admiro quem já vive assim, em função do seu desejo, possibilidade, movimento, respeitando, também, a liberdade do outro.

Tudo isto me anima, poder, nestes tempos, refletir, expressar o que sinto.

Penso, repenso, falo, repito, nesta tentativa constante de acreditar em mim mesmo e me desenvolver integralmente. Meu corpo fala, se altera em função do que sinto. Meu corpo carrega minha história.

*

Tenho percebido que só vivo mesmo o que percebo do que sinto. O sentimento que não percebo, não vivo. Assim, tenho prestado mais atenção aos meus sentimentos... e descubro que meus sentimentos, muitas vezes, têm a ver com pequenos atos que, antes, faço.

Aquela história do lobo bom, do lobo mau que carrego em mim. A todo momento, devo decidir qual lobo alimento. Aprendo, então, escolher meus pensamentos, palavras, atos.

Uma ligada na TV, por exemplo, me traz tristeza, indignação, raiva. Uma garfada a mais me traz refluxos, azia, mal-estar. E, estou aprendendo, procuro escolher o que me faz bem.

Descubro, também, que, quando estou bem, o ao redor se torna melhor. Interfiro, antes sem perceber, no mundo, com as escolhas que faço.

Estou gostando de tomar conhecimento destas minhas potências. Reforça o que, lá no fundo, já intuía: sou responsável, um tanto, pelo que vivo, pelo que sou. Sou o que como, o que vejo, ouço, falo, penso, sinto. Simples assim.

Deu vontade de compartilhar o que tenho descoberto em mim. Faço agora. Tenho me alegrado com isto. Eventualmente, gravo um destes artigos e publico no facebook e no www.luizsarmento.blogspot.com.br.

E, desejo, vidas boas pra todos nós.



Luiz Fernando Sarmento



















A História se repete












segunda-feira, 14 de maio de 2018

vida imprevista - uma vida incomum como qualquer um 50







vida imprevista


Salvando O Seu Coração, o best-seller dos anos 90, me anima salvar o meu.  Outro dia, um susto, soube que minhas artérias estavam quase entupidas. Dei uma guinada, quando quem me acolheu, André, me falou do que é. Mudei minha vida, ao escolher a comida.

Em meu coração, sinto, influências de emoções. Além dos mistérios
do espírito, ali. Das relações, aqui. Da vida, além.

Hoje, prevejo o dia, mesmo sabendo: será, total, parcialmente, diferente do que desejo. Levantarei, ioga, frutas, caminhada, visita de amiga ao Rio, chegada de filho, nora, netos.

O resto do dia, incerto. Talvez telefonemas, leituras, cozinha, inesperado céu ao léu.

Ontem, encontro dos bons, amigos em construção.  Amiga e amigo a rever o já feito, a planejar, procurar um jeito, oferecer, a quem deseje, conhecimentos que bem nos tem feito.

O amigo, forte referente, um norte amoroso, experiente vegano, homeopata, cardiologista, cirurgião em mutação.

A amiga, receptiva, aberta ao mundo, com seu estudo profundo, sua simplicidade, dedicação à livre vida, à alimentação.

Almoço no Panela de Barro. Eles seguiram. Eu me preparei e fui cuidar de receber, levar papéis de batismo de netos à igreja. De lá, aula de ioga, meus músculos reclamam, permanece o desejo de reaprender a andar, sentar, deitar, me movimentar.

Me faço um carinho, como um pão no caminho. Já na cama, li um pouco – Em Busca da Vida Depois da Morte. Dormi, acordei, inicio novo dia. Imprevista vida.

*
Há anos, só lavo a cabeça com água. No corpo, eventual sabão, me sinto limpo com a água fria que vem sozinha ou depois da quente. Tenho meus cheiros, função do que bebo, como e pego e ponho. Gosto de mim assim.

*
Hoje, um dia parecido com outros sábados. Feira orgânica, cebola, tomate, limão, laranja, coentro, couve. Alho-poró, mandioca, batata inglesa e doce. Banana-mel, beterraba, feijão verde e preto. Abóbora, quiabo. Na feira comum, água de coco, mamão.

Dia igual, mas não tão. Preparo o almoço, separo a roupa, tomo meu banho, como, escrevo um pouco, me visto e vou. Passarei no banco, tomarei um ônibus, irei à igreja pro batizado dos netos. E mais não sei. Daí pra frente, dia diferente.


*
Tenho focado, amigo, na minha potência. O que não está ao meu alcance me angustia. Assim, minhas pequenas decisões têm me facilitado a vida.

Penso, antecipo sentimento antes de ligar o botão da tv. Quase já sei que vou me angustiar, me indignar. Não ligo.

Penso, sinto, antes de mais uma garfada, após a fome saciada. Quase que sei que me sentirei pesado, cansado, com a digestão alterada. Evito a garfada a mais.

Penso, sinto, antes da palavra sair, antes da escrita, antes do assunto escolhido. Evito falar do que não me faz bem, nem a outro, nem a ninguém.

E tenho escolhido a caminhada, a ação, o que penso, o que falo, o que vejo, o que ouço, o faço, o que sinto

Tudo aprendizado, dia a dia, ato a ato. Repito, repito, acredito. Outro dia, por exemplo, evitei operação de safena, mudei a alimentação. Estou vegano.

Às vezes me torno um chato, com estas radicalizações no estar no mundo, mas meu indicador – meu humor – tem me facilitado escolhas.

Se bem-humorado, caminho certo. Se mal, me pergunto: que devo mudar em mim, pra viver bem, neste mundo como ele é.

Tento, tropeço, vivo, aprendo. E erro e tento e tropeço e acerto e mudo...quando consigo.

Bons dias, desejo as melhores escolhas, já que, percebo, sou, somos, governador, presidente do meu, do nosso amor, da própria mente. Obá.




Luiz Fernando Sarmento