quarta-feira, 26 de novembro de 2025

tempo de construção








tempo de construção


agora, mão na massa

antes, cavar a cova
semear o novo

tudo um tanto assim
com o grão da graça

outros tantos um tudo
ubuntu

um só
universo e eu
eu santo um tanto

duvido de mim
sei nada da fala

de onde vem
nem sei

sei, tudo novo
novo, experimento

escolho

nunca vivi
o que agora vivo



terça-feira, 18 de novembro de 2025

caminho

 caminho

à procura de um olhar
às vezes, veem, vêm
e não vejo
fico só neste desejo
um toque, um abraço, um beijo









livros que escrevi

 Livros que escrevi...

Luiz Fernando Sarmento

01
Uma vida incomum como qualquer um
https://pt.slideshare.net/slideshow/livro-uma-vida-incomum-como-qualquer-um/45920392

02
O que está a meu alcance
https://pt.slideshare.net/slideshow/o-que-est-ao-meu-alcance-44494193/44494193

03
O que me toca fica
https://luizsarmento.blogspot.com/p/materia-bruta-livro.html

O4
Novidades e Repetições (este, na Amazon)
https://www.amazon.com.br/Novidades-Repeti%C3%A7%C3%B5es-Tanto-Repito-Acredito-ebook/dp/B0F7GSKJK1/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=XYDH0686S69Y&dib=eyJ2IjoiMSJ9.n1u_pq9JZ9SOrQmVxIPbKOaM8LTGBLe1eiudWSdz7UWzAtrkmLD4gPDaWNXNRhemkGYDRh2QpknODsxdzn1xBymiS91RgjEfBEPldbiJYKjCTryaEbSgcuR6PnTh-LtO-Dq73xJWGC4koDRmk0Xd5Yn2z4nwuy-apcwJnRzNqWMypTDArpOodpgxFqgVt78G.DzoinR0QV4fVYfJpM-tKLQ0HLut1FF94kGof6DshL-Q&dib_tag=se&keywords=livro+Luiz+Fernando+Sarmento&qid=1763477363&sprefix=livro+luiz+fernando+sarmento%2Caps%2C245&sr=8-1
luizsarmento.blogspot.com
Luiz Fernando Sarmento

volto no tempo

 volto no tempo

colchão no chão
a rede flerta comigo
consigo
o arroz integral
o feijão amigo
a vida atual, igual
à vida vivida
simples, nem tanto
um certo trabalho
lavar prato
arrumar a cama
próximo ato
o quarto, a casa
tirar poeira, trabalheira
um num pára jamais
lavar panelas, pratos
abrir janelas e mais
molhar as plantas
pagar as contas
um preço da liberdade
a tal responsabilidade
só até o novo amor
encontrar o meu
pura construção
dividir sal e mel
chão e céu
vira tudo
tudo extraordinário
aí o tempo não para
escoa, numa boa
o arrepio, uma vírgula
o prazer, exclamação
não preciso, então
tapar vazios da solidão
simples assim
cuido de você
você cuida de mim
eu sei
uma beleza
isto de amor


sexta-feira, 17 de outubro de 2025

224 Preso à própria liberdade - Luiz Fernando Sarmento e Frei Chico


Luiz Fernando conversa com Frei Chico
  • Franciscus Henricus van der Poel -,
também palhaço - o Fuxico -, músico, pesquisador da cultura popular, professor e franciscano. Gravação: Luiz Fernando Sarmento Catete Rio de Janeiro Brasil 26 de março de 2015

domingo, 5 de outubro de 2025

Tremo

🎈
Tremo, eventualmente.
Quando desejo tremores, deito de barriga pra cima, nu de preferência, longe de refeições,  me entrego à respiração profunda, permaneço atento.

Passa um tempo que nem sei, inesperadamente, um tremelique ali, outro acolá, deixo estar, não coço. Entregue que estou, respiro e respiro.

Os tremeliques se alastram, ondulo. 

Junto com o reavivamento do corpo, lembranças, alguma emoção.

Duvido de mim, sem certeza de fantasia minha ou minha realidade.
Assim, sinto, quando me permito usufruir do que tenho aprendido, me renovo.

Estes movimentos - exercícios? - aprendi com Romel Alves Costa, meu querido terapeuta reichiano, na década de 70, lá se vão uns 50 anos. 

Volta e meia vem a vontade, relembro outros, cutuco emoções. Ora raiva, ora não sei, revivo eu bebê, redescubro memórias.

Agrada, me agrado, mesmo um tanto vago. Quando experimento, me alimento emocionalmente. 

Passo tempos sem praticar, como que esqueço, talvez defesas minhas contra insuportáveis alegrias. Estas, resquícios da minha catequização infantil, com minhas decorrentes associações de prazeres a castigos...

E, para evitar castigos, minhas fugas dos prazeres, a tal - vez por outra consciente - insuportável alegria.

Incompleto, este um meu quebra-cabeça.

Ah! Tremeliques também me invadem quando, em posição grounding, me entrego ao som dos tambores e cânticos em rituais afros, Candomblé e Umbanda.

Romel, lembro, pesquisava, conosco e em nós, influências de músicas em nossos corpos, segmentos e sentimentos.

Mas aqui mais vaga memória.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

lembro

Aqui, Luiz Fernando Sarmento 

Como talvez de interesse,
aqui compartilho.

Resumidamente, 
do que me lembro.

Nos anos 70, 
como cliente de Romel Alves Costa, psiquiatra reichiano, e por ele cuidado e orientado, fiz diariamente, durante alguns meses, movimentos oculares focados numa luz de lanterninha movimentada por Romel (na penumbra, deitado, nu, atento ao presente, respiração aprofundada...) ou por mim mesmo, nos dias em que não estava com o terapeuta.

Após, talvez, uns 3 meses, volta e meia um lapso... e eu me sentia como se revivendo, no berço, ao redor de meus 2-3 anos de idade, situação de medo, terror. 

Para tentar evitar esta apavorante vivência,  fechava com força meus olhos - tanto que esticava tanto meus músculos oculares a ponto de não retornarem à tensão muscular original. Daí, percebi como verdade, a origem da minha distorção,  deficiência ocular durante toda a minha vida posterior.

Neste período dos meus cuidados reichianos recuperei parcialmente minha visão  ( lembro, num olho, minha lente de correção  passou de 4,5 graus para 0,75 ).

(Relembro, meu apelido de infância era Luiz Ceguinho). 

Mas, neste período da minha terapia, minha postura corporal mudou, minha segurança e autoestima também.   A sexualidade se tornou mais forte e presente, minha potência me alegrou.

Fiquei sem usar óculos durante uns 2 anos (fora este intervalo, uso ininterruptamente óculos de graus crescentes deste os meu 6,5 anos aos mais de 79 anos que atualmente tenho).

Suportei tamanha alegria durante 2 ou 3 anos. Interrompido o tratamento, pouco a pouco minhas distorções voltaram ao que eram.

Mesmo assim, algo, mais que algo, permaneceu - me percebo melhor do que fui antes da terapia. Sou grato a Romel e Reich.

sábado, 9 de agosto de 2025

falsas notícias



falsas notícias repetidas, repetidas, repetidas, dão, ao falso, vida * Às vezes tenho vontade de dialogar com aquela pessoa que fala na Tv. Mas ela não me ouve. Ela só fala e fala. Repete tanta coisa, que acabo acreditando no que me fala. Se não me cuido, acredito mais no que me fala a Tv do que na realidade vivo. Com o rádio já era assim. O locutor fala, todo mundo escuta. Não há diálogo. Uma pena. Com a revista, também. Com os jornais e mais. Tenho escutaco menos – e mais criticamente -, tanto os locutores das rádios quanto os apresentadores das tvs. E passei a me escutar mais, a mais acreditar no que sinto e vivo. Tenho sido mais feliz. Minha realidade é variada. E varia um tanto em função do que alimento. Se fico pensando – alimentando – só desgraças, minha realidade fica desgraçada. Se me cuido e escolho o que me alimenta – pensamentos, palavras, atos – minha realidade passa a ser o que escolho. Tudo tem sido novo, pra mim como, imagino, para cada um. Nunca vivi o que agora vivo. E, como tudo que é novo é desconhecido, volta e meia estou com medo. Tenho medo do que desconheço. Tenho medo do novo. Quando faço algo novo é um aprendizado. Tento, tropeço, erro, retento, acerto. A novidade, agora, tem sido a minha consciência do que vivo. É que descobri, novidade pra mim, que vivo somente o que percebo do que sinto. O que não percebo, não vivo. Meus sentimentos, intuo, expressam o que vivo. Devo, então, prestar atenção a meus sentimentos, percebê-los. Quando presto atenção a meus sentimentos, e percebo o que sinto, vem a curiosidade de saber o que causa, as origens destes sentimentos. Surpreso, confirmo. Pequenas escolhas que faço antecedem e provocam os sentimentos que me vêm. Estes mesmos sentimentos que, só quando percebo, vivo. Assim, se ligo o noticiário da tv e da rádio, se leio as manchetes dos jornais e revistas, sinto indignação, raiva, tristeza, impotência. É uma contradição. Às vezes, a realidade ao meu redor me alegra. Mas me entristeço, me enraiveço, me indigno quando – através daqueles jornalistas e locutores e apresentadores de rádios e tvs – fico sabendo de maldades longínquas. Muitas vezes, misturadas, realidades e ficções. A história sobre a realidade varia, de acordo com o contador. Se duas pessoas assistem ao mesmo fato, as histórias que contarão serão diferentes. Experimente. Também a História muda com o contador. A História do Brasil, por exemplo, é narrada pelos chamados vencedores. Os contadores contam suas versões da História. Não sei como morreram Getúlio, Juscelino, Jango, Castello Branco, Costa e Silva, Ulisses Guimarães, Tancredo, Eduardo Campos, Teori Zavaski, Marielle Franco. E não sei de outros que morreram e nem soube. A História dos Estados Unidos, também não sei. Intuo, sinto, que quaisquer informações sobre guerras das quais eles participam me chegam através dos monólogos das tvs, rádios, revistas, jornais. E estes veículos, por exemplo, recebem informações, talvez padronizadas, das agências de notícias – internacionais, nacionais. Agências, que, por sua vez, quando relativas a invasões e guerras externas, talvez recebam informações originais de uma só fonte oficial norte-americana. Sabemos, o soldado, como quem manda, é responsável pelo que o tiro provoca. O jornalista, como quem manda, também é responsável pelo que a falsa notícia, a fofoca provoca. Tudo tão, digamos, simples. E, ao mesmo tempo, tão complicado. Desconfio, não confio no que estes jornais, rádios, tvs, revistas me informam. São, a meu ver, tendenciosos. Representam interesses que não são meus nem de muitas outras pessoas. Sinto, somos, os das gerações próximas à minha, somos os últimos neuróticos. Porque, se psicopata for aquele que faz mal a si mesmo e a outros... e não se sente mal por fazer o mal – não sente culpa – nestes nossos tempos atuais, saímos de cena, nós, os neuróticos, e entram em cena os psicopatas. Resta a esperança de um fato novo que tudo mude. Um novo Cristo, por exemplo. Ou uma invenção mais forte que o avião, que a internet, que os meios de comunicação. Ou, mistério, fato novo transcendental – uma linguagem dos sentimentos, por exemplo -, algo que provoque emoções que despertem em cada um de nós nosso amor adormecido. E nos extasie. Lembro, a guerra, a arte da mentira, do engodo. A paz, a arte do amor. Luiz Fernando Sarmento www.luizsarmento.blogspot.com Rio de Janeiro Brasil 2023

terça-feira, 5 de agosto de 2025

912 meu corpo fala



meu corpo fala .1. Vivo, um tanto, vida de índio. Aos 73, me permito. Trabalho 3, 4 horas todo dia. E me deixo levar. Trabalho tipo fazer o necessário para eu bem viver. Simples, assim, fazer comida, arrumar o que desarrumo, apoiar quem por perto, escrever. .2. Enquanto descanso, balanço, danço. Ando um tanto descansado, aprendiz de preguiçoso. Cuidador de mim mesmo, o essencial tem me suprido a vida. Arrisco, uma arte simplificar. Reconheço, agradeço alguma luz que me veio. Sou responsável pela vida que vivo. .3. Meus sentimentos indicam meu rumo, minha vida. O que vejo, ouço, cheiro, toco, falo, faço determinam o que sinto. Aprendo escolher o que sinto . .4. Um poeta sentiu e sacou, “Perdi minha vida por educação”. Aprendo estar atento pra não perder minha vida por mágoas, descuidados, desafetos, enganos. .5. Sentimentos repetidos me agarram, ficam em mim. Desde criança. Adulto afora, carrego minha criança em mim. O que sinto, o que sou, se relaciona comigo criança, com minha infância. .6. Busco, hoje, aquele abraço que, por desventura, não tive. Hoje, busco suprir aquele vazio que na infância algumas vezes senti – mesmo não percebendo que o vazio que sinto talvez antes tenha nascido ali. .7. Hoje, acredito, meus sentimentos determinam o que vivo. Vivo, mesmo, é o que sinto. Aliás, só vivo, mesmo, o que percebo do que sinto. O que não percebo, nem sei que sinto. Não vivo. .8. . Hoje, sei, meu corpo fala. Como cada Ser, carrego no meu corpo minha História pessoal. Meu corpo fala. Preciso aprender a ser comedido. Como muito, quase me entupo por voracidade. Se o gosto é bom, não quero parar. Como o tanto que naquele momento desejo. À noite, meu corpo fala. Sinto queimação aqui dentro do que imagino esôfago. Passo, então, parte da noite sentado. Passada a azia, deito pra valer e durmo. Meu corpo me falou, já sei, não devo comer demais. .9. Aprendi, há tempos, exercitar a musculatura dos meus olhos. Quero recuperar sua elasticidade original e, como consequência, enxergar direito. Algumas vezes, com estes exercícios, atento, revivo sentimentos, medos de quando eu tinha dois, três anos. Na época, pra não ver o que na penumbra eu via, fechava os olhos, apertava, apertava tanto que perdi a elasticidade da musculatura ocular e não consegui mais focar, enxergar direito. Hoje, quando exercito esta mesma musculatura, revivo medos antigos. Meu corpo reaviva minha memória, me conta minha história. Meu corpo me fala. Estes mesmos exercícios oculares me despertam movimentos involuntários na pélvis, mexem com minha sexualidade. .10. Aprendiz, mexo no corpo, mexo nos sentimentos. Percebo, sou um todo sistêmico. Este aprendizado tem me facilitado a vida saudável. Se percebo sintomas, procuro descobrir as causas. Se cuido das causas, os sintomas se vão. Sem remédios. Se me desequilibro emocionalmente, meu corpo reage. Por exemplo, meus dentes se abalam. E quando me reequilibro, meus dentes se firmam. Prefiro ir ao dentista quando me sinto equilibrado. .11. Racionalizo tudo, mas a emoção emerge e prevalece. Os sentimentos – conscientes, inconscientes – me invadem, moldam meu comportamento, estimulam movimentos, paralisias e ausências, tomam conta de mim. Meus sentimentos se expressam no meu corpo. Meus sentimentos me guiam. Meu corpo fala o que sinto. .12. Talvez alguém se lembre, em algum momento, em algum lugar tenha sido assim. Pra desmamar o bebê, a mãe – imagino, sofrida como ela só – passava borra de café ou pimenta no próprio seio. O bebê levava o choque, eternamente marcado. Desmamava. Ficava aquele vazio dentro de si. Sem saber porquê – inconsciente – o bebê cresce, passa o resto da vida a tentar suprir esta falta que não sabe de onde vem. Busca no poder, no dinheiro o tapa-buraco. Mas, constante, a frustração, a permanência do vazio, o inferno em vida. Hoje, como antes, em muitos de nós permanecem marcas nascidas da indiferença, da violência, do amor ausente. .13. Sorte se me cai a ficha, se tenho o insight, se compreendo emocionalmente a falta que sinto, antes inconsciente. Como a ostra – arranhada, se fecha, cria a pérola – talvez meus talentos atuais se relacionem com os arranhões na alma que, antes, sofri. Ou com o que pelo prazer aprendi. .14. Vislumbro uma saída do labirinto em que me encontro: aprender a me conhecer. Aprender a me permitir ser o que desejo ser. Aprender a me amar. .15. Doença, em mim, começa assim: qualquer forma de maltrato, meu corpo reage, adoece. Pra voltar a ser saudável, paro de me maltratar. Descubro um jeito de acalmar minha mente, de cuidar do meu corpo. ... ... ... Luiz Fernando Sarmento www.luizsarmento.blogspot.com Rio de Janeiro Brasil 2019



sábado, 2 de agosto de 2025

703 Insights - Luiz Fernando Sarmento


Insights

pressinto, minha respiração alimenta a emoção que sinto # Parto Esquecido de tudo Escuro, morninho Os sons quase mudos Sensação de carinho Nove meses em meu quarto Crescendo sozinho Luzes, eu parto Novo, zerinho Alguém me enlaça Choro e chuto Mamãe me abraça Me entrego, não luto De volta ao passado Desconhecido futuro Assim, espantado Hoje me encuco Sou um presente Responsável inocente Em cima do muro Num mundo confuso Nem claro escuro # Gêmeos Lento na ação Rápido no pensamento Esperanças no coração Sou um a cada momento Tonto, meio bobão Preso a cada lamento Alegro, choro, em vão Sou um a cada momento Mergulho na criação Pego carona no vento Ora razão, emoção Sou um a cada momento # Burocracia Câncer Lá fora o sol, o vento Chuva, movimento, terra Aqui limites, tormento Em papéis a vida se encerra Este meu porto Oito horas por dia Como outros, torto Sem alma, sem alegria Confinado me emperro Em meio à burocracia Horas, anos, um tempão Sonho, aposentadoria Enquanto espero, me enterro Vida, trabalho, prisão # De costas A vida é uma bosta O trabalho é uma bosta As pessoas, bostas A cultura, bosta Bostas, o cigarro A angústia, solidão Incompreensão, uma bosta Bosta, comunicação Bosta por bosta Ômeu, ninguém gosta Que bosta, que posta A bosta sou eu # Jovem Tou no ar Tou no chão O coração é um mar A cabeça um furacão Alegria na minha alegria Tristeza somada à minha Desfiladeiro, vulcão Paixão, mergulho, paixão # Namoro Você vinha, eu ia Pau duro, coxas quentes Quadris em sintonia Línguas molhadas, ardentes Trocas de ares Cabeças vazias Ondas, mares Afeto, energia Adeus tempo, espaço O ponto certo existia Terno eterno abraço Brilhamos, obá, alegria # Casamento Você sofre Com o que sou Eu sofro Com seu sentimento Passamos a vida assim Acolho seu lamento Você chora por mim Em mim censura O que em você Não se aventura Passada a loucura Passada a paixão Não sou seu pai bom Nem minha a mãe pura Loucura, tormento Suportável tortura Anta, jumento Capenga procura Não lhe dou a segurança que me pede Não me dá o colo que imploro Um muleta do outro De repente, bodas de ouro # Cultura Pesada Todo prazer é pecado A todo pecado, castigo De cada castigo, medo Se pecador é consigo Tristeza, remorso, culpa O paraíso perdido Crente, clemente, confessa Curva, ajoelha, reza Seu amor próprio despreza Volta a ser comedido # Mentiras Olhos, ouvidos, nariz Percebem uma situação A realidade contradiz Rádio, jornal, televisão Que má sorte Associam o cigarro à vida Veja a publicidade É a morte Muito do que penso verdade Novela, show, ficção Vem do que me disseram Notícias, informação Verdades mesmo não eram, Meio falso, meio vão Cortinas, desvios, quimeras Meios d'incomunicação # Imenso Vazio Mais do que falo Mais do que penso Sou o que sou Sou é imenso Faço que fico Falo que vou Baixos e picos Sou e não sou Em cada quebrada Sou tudo, sou nada Sinto não sim Vôo não vou Tenso não sonho Sim não eu sou Num momento só cagaço O pavor do mais medonho Dúvida do faço não faço Choque do ter e do ser O real a me chamar do sonho Triste alegria, dor e prazer Aqui, lá, em todo lugar Pulso, pulso no meu campo Surjo, desapareço, tamanho Presente amplio o finito O infinito acompanho # Pedra Rolante Rodo e rodo A mesma pedra Todos caminhos De qualquer modo Se não pedra, espinho A minha pedra Sou eu sozinho Sou eu quem medra Eu sou a pedra # Quem Sabe pra quem desde criança cria necessidades difícil pode ser a mudança quanto maior a idade Aquela que desde o ninho Pra quem o que for será Terá mais fácil caminho Ou rumo incerto, sei lá O que é certo ou errado Que crime merece castigo Onde vou, pra que lado Eu não sei, sabe o amigo? # Meus filhos, Um lado vivo Um outro morto Ativo, torto Sou seu modelo Como não sê-lo Sendo seu ninho Quanto aos caminhos Selecionemos Os mais amenos Sei que não devo Gerar conselhos Sem mais nem menos Aos meus espelhos # Alforria Sou governador Sou presidente Do meu amor Da minha mente Bom dia todo dia Boa noite toda noite Boa vida toda vida # * Poesias e falas, Luiz Fernando Sarmento Roteiro e edição do vídeo: Ricardo Tupper Assistência na gravação: Juliana Amaral Gravação caseira: Luiz Fernando Sarmento Catete Rio de Janeiro Brasil 23 de junho de 2018