Jovem, não acreditava
em mim. Meu corpo esquelético, sem óculos ceguim, insuficiente nas brincadeiras,
nunca escolhido nas peladas, frangueiro. Inseguro de tudo, sensação de
excluído. Isto de um lado. De outro, na família tratado como igual. Sorte minha
ter nascido ali, naquele espaço e tempo, do jeito que foi.
A insegurança
estimula minha curiosidade. Tantos mistérios no mundo fora de mim, no mundo
dentro de mim. A cada descoberta, um porto. No mundo e em mim, qualidades que
desconhecia. Noutros lugares, noutras épocas, com outras pessoas, passo a
passo, aprendi um tanto do que é e do que parece ser. Certezas mesmo, só de
dúvidas: quase tudo permanece e muda a cada instante.
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