Veneno
para Crianças
Num mundo tão maluco como é o que vivemos, a
todo momento me pego querendo que outras pessoas se modifiquem, para que este
mundo seja modificado. E quase sempre a alteração de comportamento de outras
pessoas está fora do meu limite de atuação.
Gostaria que pessoas que detêm o poder
público fossem racionais e humanas, sábias, atuantes, ternas e de bom humor.
Mas não tem jeito, não conseguem enxergar muitas soluções que parecem óbvias a
pessoas que permanecem vivas.
Um exemplo próximo a todos nós é a televisão,
com programas influindo diretamente no comportamento de quem os assiste: o
moralismo, o preconceito, a violência, a fofoca quase sempre presentes. E se
são crianças os espectadores, a tristeza se multiplica: quase 24 horas por dia
a televisão está deformando adultos do futuro.
O homem aprende do que vê, ouve, tateia,
cheira, bota na boca e sente. Desde criança transforma-se no que lhe é
apresentado como modelo.
Enfim: o homem amanhã deverá ser fruto do que
hoje aprende e sente. Quem hoje vê na TV a violência como ato rotineiro, talvez
rotineiramente conviverá com a violência. E naturalmente outros exemplos de
todos os momentos contribuem também para a deformação de homens de amanhã.
Ontem mesmo não nos disseram que éramos a esperança do futuro? Nós não somos
marcados pelos modelos que nos foram apresentados? O futuro de ontem não é
agora?
Sinto-me impotente diante de tantas mudanças
necessárias: o meu poder de influência sobre o atual estado das coisas é
mínimo. O que fazer?
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