De volta ao Brasil, ainda em 1981, tentei
prosseguir. O resultado, aqui. Agora, quando releio, sinto que faria mais sentido
se eu tivesse escrito na primeira pessoa do singular, eu. Soa pretensioso o
nós, o vós, o ele, os eles. Tento, então, trocar nós por eu... por que, sinto,
só devo falar de mim. Como saber do outro se não sou o outro, se somente
imagino que sei dele? Mesmo assim, volta e meia falho o ato, me confundo com o
outro que imaginava não ser eu. Entende? Nem eu.
Algo que escrevi, sinto, me
faz bem e permanece. Outros algos, hoje não me identifico. Estava em plena
juventude, me perdoo, não sabia o que hoje penso que sei. Nem não sabia que não
sabia. Misturado, compartilho.
Está sendo difícil refletir
sobre o homem novo. Desconfio que atrás desta dificuldade está o meu desejo
mais profundo de transformar a mim mesmo. As tentativas práticas de vivenciar a
minha própria vida, de buscar a cada momento a emoção naquele momento sentida,
constantemente se chocam com os incômodos que me fazem fugir do presente,
relembrando o passado ou imaginando o futuro.
É a vida correndo solta. Juntos inseguranças, incertezas, emoções
não percebidas, impaciências, nervosismos, incapacidades. E às vezes, juntos,
lucidezes, entendimentos, levezas. Num eterno troca-troca, mau humor-bom humor,
beleza-feiúra, vida-estagnação. Hoje, ontem, em qualquer lugar.
*
Este texto é parte das reflexões
que fiz e escrevi na década de 80.
São parte do capítulo
Reflexões sobre o Homem Novo
que compõe meu livro
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