segunda-feira, 11 de abril de 2016

jovem





Jovem,
não acreditava em mim.

Meu corpo esquelético,
sem óculos ceguim,
insuficiente nas brincadeiras,
nunca escolhido nas peladas,
frangueiro.

Inseguro de tudo,
sensação de excluído.

Isto de um lado.
De outro, na família,
tratado como igual.

Sorte minha ter nascido ali,
naquele espaço e tempo,
do jeito que foi.

A insegurança
estimula minha curiosidade.

Tantos mistérios no mundo fora de mim,
no mundo dentro de mim.

A cada descoberta,
um porto.

No mundo e em mim,
qualidades que desconhecia.

Noutros lugares, noutras épocas,
com outras pessoas,
passo a passo,
aprendi um tanto do que é
e do que parece ser.

Certezas mesmo, só de dúvidas:
quase tudo permanece
e muda a cada instante.

Assim, aqui,
o que foi talvez não seja.

*
Saiba mais:

Este texto é parte de um dos capítulos
- Sonho e Realidade –
do livro que escrevi,
com a intenção de contribuir com
ideias e metodologias
para movimentos sociais e individuais.

O livro, só clicar:




Em tempo:
A imagem,
grafite,
parede em Ipanema, Rio.

De novo, ai, ato falho, falha minha,
cadê o autor, criador?










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