Anotações sobre
psicopatia
Pensamento leigo
Nós contemporâneos
Somos os últimos neuróticos?
Há sinal de psicopatia
Na ausência de culpa
Quando se faz mal ao outro?
Sai histeria
Entra neurose
Sai neurose
entra psicose?
*
O perigo se aproxima
Quando a psicopatia
Prevalece na instituição
Se presta serviços públicos
Sofrem funcionários
Sofrem públicos
Além dos psicopatas
*
Dúvidas
Pessoas que matam pessoas
- e não sentem culpa –
são psicopatas?
Mesmo sendo do Bope?
O soldado
é responsável pelo tiro que dá?
E o mandante?
O co-mandante?
O que governa?
O que vota no que governa?
*
Relembro pra aprender
Enquanto eu banqueiro,
você bancário
Enquanto eu psicopata,
você otário
Nunca seremos amigos,
nunca solidários
enquanto eu não me amar,
enquanto amar a tevê,
nunca amarei você
*
Desabafo incompleto
sou dos últimos neuróticos
nascem, florescem pessoas
sociedades sem culpa
Nova fase da humanidade,
cada vez mais psicopática?
Pessoas e mais pessoas,
sem culpa,
fazem mal a outras?
Irresponsáveis
descuidam
de quem comandam,
sem considerar o mal
que fazem a outros, a si?
Subordinados adotam
visões de mundo
de psicopatas que os dirigem?
As Oi, as Tim, os Opportunity,
os Globo, as Veja, as Ambev...,
visões de mundo semelhantes,
pobres de afeto,
pobres de espírito,
causando mal a outros
tentam suprir vazios emocionais
de que fogem?
Quem colabora com instituições
que fazem mal a tanta gente
também é responsável
pelo mal que esta instituição
faz e provoca?
Por
outro lado,
quem a cultivar afetos?
Quem a colher abraços,
a espalhar carinho?
Quem a cuidar do outro?
Quem a cuidar de si
como cuida do outro?
E eu com isto?
Quais atos psicopáticos
eu próprio pratico?
Estes pequenos atos,
quando jogo
lixo no chão,
ando na
contramão, furo sinal,
deixo torneira
aberta...
pequenos mal
sem culpa?
Psicopatas,
os que produzem transgênicos?
Psicopatas,
os corruptores, os corrompidos?
Psicopata,
o colaborador conivente?
O consciente, o inconsciente,
o que mente nem sente?
Psicopatia, loucura?
E
eu,
prum mundo emocionalmente saudável,
o que está ao meu alcance?
Quais bancos, igrejas,
quais meios de comunicação,
quais governos, legisladores,
quais juizes, quais polícias,
que ditos serviços públicos
prestam serviços que me enlevam,
me fazem bem?
Quem deles necessita?
Psicopatas, insanos?
Nem manos, nem manas?
Uns bananas?
Uns sacanas?
Pobres de espírito,
cheios de grana?
Melhores são porcos na lama,
que se divertem
e mal não fazem?
Pobres de afeto, cheios de coisas,
acumulam dores
no corpo, na alma?
Em que canto se entocam,
estes boçais que se enganam?
Safados, brochas, molengas,
sádicos, capengas, tristes,
falsos, frios, insones,
infernam dentro de si?
Pobres de afeto,
ricos de coisas?
Se a carapuça lhe cai,
não fui eu, pentelho,
é o espelho.
Mas se sua criança, aquela dentro de si,
pede colo, imploro,
alimente seus afetos...
Faça por si, descubra quem ame,
desabafe, grite, chore, enlace,
descalce, assobie, dance,
banhe, brinque, abrace,
beije quem o deseje...
Isto tudo, uma graça,
de graça...
*
Últimos neuróticos?
Talvez sejamos
os últimos neuróticos
Pouco a pouco
prevalecem aqueles
que fazem mal a outros
e não têm culpa...
Os psicopatas?
*
Que polícia desejo?
O policial que desejo,
sente,
sabe dar abraço
quando hora de abraço
O policial que desejo,
cuida de si, sim,
transborda,
cuida de mim
O policial que desejo,
estuda,
se desenvolve emocionalmente,
cuida da gente
O policial que desejo
é sério, dá exemplo,
não mente
O policial que desejo
não é os psicopata
que volta e meia vejo
*
Sonho > PPP > Políticos, Policiais,
Presidiários
Pra que não se repita
nunca
mais
o que agora se repete
–
torturas, assassinatos, psicopatias...
talvez um dos caminhos...
seja o de políticos, policiais e militares
serem educados como
o que pra mim desejo...
Se cada policial,
se cada político
antes de assumir o cargo...
fosse cuidado como desejo me cuidem...
Se cada presidiário,
fosse cuidado como desejo me cuide...
Se a cada um,
político, policial, presidiário
fosse oferecido mergulhar
no acolhimento que enleva,
crescesse emocionalmente,
no conhecimento que eleva,
internalizasse ética...
Enfim, educação
pra quem se propõe
cuidar da população...
*
Quem manda, quem ensina?
Tenho medo do medo de quem
está com uma arma engatilhada.
Tenho raiva de quem
ensina mal ao policial.
Tenho medo de quem
estimula a morte.
Tenho raiva de quem manda matar.
Tenho medo de todo psicopata
- aquele que faz mal a outros e está nem aí.
Não confio em um governador
que não sabe governar
pelo bem da população.
Sugiro que, em todas estas invasões policiais,
em comunidades, em movimentos sociais,
esteja junto o governador
e quem mandou...
*
Humanidade
Sou o que estou.
Estou intuitivo.
intuição, pra mim, é o que sei
sem nem saber que sei.
Intuo:
talvez sejamos os últimos neuróticos...
É que agora, nestes tempos
da primeira metade do século 21,
como, talvez, em outros tempos,
tanto mal um faz a outros
e nem se importa,
nem culpa sente,
nem sente...
Tomara eu me engane,
se psicopatia é fazer mal a outro
e não estar nem aí
– sem culpa, sem sentimento pelo mal que a outro faz –
então muitos de nós realizamos,
no dia-a-dia, atos psicopáticos.
Alguns atos maiores,
outros médios,
outros menores.
Será ato psicopático
explorar quem trabalha?
Priorizar o lucro?
Desconsiderar a afetividade?
Demitir sem considerar
a desestruturação do demitido
e de quem dele dependa?
Criar ambientes e climas
de concorrência desumana?
Será ato psicopático, desleixo,
jogar lixo na rua, entupir bueiros?
Andar de bicicleta
pela calçada de pedestre?
Furar fila, enganar alguém?
Numa instituição,
seja pública ou privada,
quem comanda dá o exemplo,
diz com o que faz
o que deseja seja feito por quem comanda.
Seus atos, pequenos, médios, grandes
indicam quem de fato é
aquele que comanda.
Se quem comanda demite
sem considerar o efeito maléfico no outro,
explora quem trabalha,
faz mal a outro
e não sente culpa...
...a tendência é seus comandados
se espelharem no exemplo
e praticarem, cada um com seu poder,
atos maléficos, também sem culpa,
sem considerar o mal que fazem
a outro, a outros.
Assim se formam
instituições psicopáticas...
Se na rua, no cotidiano,
um não considera o outro,
farinha pouca, meu pirão primeiro,
pouco a pouco a cultura se instala...
Assim se cultiva
uma cultura psicopática...
Hoje é diferente de ontem,
amanhã diferente de hoje:
a cada tijolo que boto,
cresce o muro.
A cada ato psicopático
internalizado como normal,
outros muros são criados,
uma sociedade psicopática se forma.
Por isto e mais aquilo
que talvez você tenha lembrado, sentido,
tenho me perguntado:
e eu com isto?
Que atos psicopáticos também eu pratico?
E na sequência:
o que posso fazer pra que a vida,
a minha, a de outros,
seja uma vida boa?
Bom,
tenho descoberto a importância
de cada escolha que faço...
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