uma vida incomum como qualquer um 16
caminhos
do coração
Sou responsável pelas
escolhas que faço. Seja um passo, um
abraço, outro ato, uma atitude improvável.
Tem coisa que sei e
nem sei que sei. Esqueci, de repente, lembrei. No caminho do coração é assim. Foco
em mim. Vivo pela intuição. Sinto o que não sentia, vivo o que não vivia, descubro,
redescobri.
À procura de cura, consulto
ali e aqui. Escuto, de todos, de tudo. Duvido, reflito, entre o não e o sim. Confio
no coração, acredito em mim.
Quem sente o que
sinto, quem vê com meus olhos, em mim é presente. Coerente, me entende.
Sozinho neste caminho,
decido o que vivo. Guino, ativo, retomo. Renovo meu destino, cuido das causas, anulo
os sintomas. O que como me entope? Mudo o alimento. Agora, então, que bom. Invés
de corte-operação, saudável alimentação. Sou responsável pelo que vivo.
Como Hipócrates dizia,
sou o que me alimento. Percebo, além, sou, também, meu sentimento.
Por outro lado, mentem
meios de comunicação, me provocam baixos sentidos. Não ouço aquela rádio, não
leio aquele jornal, não vejo aquela televisão. E falta não fazem.
Mais que fora, agora,
em mim, dentro adentro, tento. Em cada escolha, aprendo. Escolho conversa que
me aquece, o silêncio como prece, a ética em cada ato. Defino meu destino, de
fato.
Enfim, simples assim:
minha realidade depende de mim.
Saio do breu, vou
fundo. E, a cada passo que dou, mudo eu, muda meu mundo.
Civilização?
Quanto tempo os
vikings demoraram pra se transformar em suecos? Mudanças de comportamento, do
que tenho aprendido, mais se dão com o passar de anos. Às vezes, na mesma
geração, às vezes não.
Antes, anos antes.
O avião ronca. Quatro
da matina, cochilo, lembro da importância do som neste documentário. A
entrevista com Adalberto, a roda da terapia comunitária, as possibilidades de insights
ao vivo, os depoimentos de quem viveu. Este o plano. Agora é com a
realidade.
Ocas do Índio. 2008. Oito dias de frente prum mar morno e céu estrelado,
tempo todo mais atento a mim e a outros. Bioenergética cedinho, intercalo,
intercalamos razões e emoções, descobertas e compaixões, dores e prazeres. O
clima é de reconhecimentos. Somos entre trinta e quarenta, agora mais que
profissionais,
pessoas.
As noites são calmas,
leves as comidas e os pensamentos. Cuidando de mim, aprendo um tanto cuidar de
nós. Os que vivemos nos tornamos próximos. Adalberto de Paula Barreto é o
mestre, maestro. Sua Terapia Comunitária, já sabemos, facilita rapidinho solidariedades.
Neste espaço, combinamos antes, cada um só fala a partir do que viveu,
experienciou. Conselhos, julgamentos não valem.
Todos têm oportunidade
de se expressar. Quando cada um que deseja fala – das suas alegrias ou, mais
comum, do que lhe atormenta –, todos escutam. É democraticamente escolhido,
para aprofundamento, o problema com o qual mais pessoas se identificam. Em
busca de melhor compreensão, quem fica na berlinda dá mais informações e responde
a perguntas. Contextualiza.
Depois, em silêncio,
ouve quem contribui com o relato de suas próprias vivências similares. Emoções
afloram, pipocam identificações, pessoas se aproximam. Ao final, os que querem,
falam do que levam desta roda. Muitas vezes conforto, tranquilidade,
compreensões, autoconhecimento e estima.
Germinam vínculos,
fortalecem-se laços, nascem e se realizam projetos voltados para interesses comuns
ali descobertos. É a Terapia Comunitária.
Luiz
Fernando Sarmento
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