serviços públicos
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Talvez eu esteja enganado, neste livre pensar em um mundo melhor pra todos nós.
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Fico matutando. Funcionários, cada um em suas funções, fazem funcionar instituições.
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Instituições privadas, grosso modo, visam lucros para seus donos, destinam-se a servir a seus donos. Lá o público vai - se é bem servido. Se não, não vai.
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Instituições públicas foram criadas para servir à população. Seus funcionários – servidores públicos – são contratados para servir ao público.
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Matuto mais. Cada funcionário público tem o compromisso de cuidar, colaborar para que a instituição pública cumpra sua função de bem servir ao público.
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O público deve cuidar dos seus funcionários. Os funcionários devem cuidar das instituições que servem ao público.
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A instituição, pública ou privada, produz resultados, frutos do trabalho de quem nela trabalha.
Cada funcionário público é responsável, com o trabalho que lhe cabe, pelos resultados do funcionamento da instituição pública para a qual trabalha.
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Para bem funcionar, o funcionário deve ser bem cuidado por quem os oriente. Espera-se, também, que cada funcionário público cuide tão bem de si como cuide do público a quem serve.
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Lembro de ancestrais indígenas. A função do cacique era servir à tribo. Se bem não servia, não servia pra ser cacique.
A paga do cacique era o reconhecimento que recebia. Quanto melhor servia à tribo, melhor prestígio tinha. O cacique era um servidor do seu público. Se não fosse bom servidor, não mais seria servidor.
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Cá comigo, avalio cada instituição pública. Um indicador facilita minha avaliação: a satisfação pública.
Se, na instituição, a boa vontade vigora, reconhecimentos e aplausos, agora. Cada erro, cada acerto, o caminho é um aprendizado. Como resultado, passo a passo, a instituição se transforma, cumpre sua missão, melhor serve ao seu público.
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Empaco na minha matutice. Não sei o que devo fazer para cuidar de servidores públicos que cuidam de mim com boa vontade – além de reconhecê-los e aplaudi-los.
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Também não sei o que devo fazer para despedir-me de servidores públicos que tratam mal a mim e ao próximo – e, imagino, tratam mal a si mesmos.
Uma contradição - como poderiam bem cuidar de outros se nem cuidam bem de si?
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Eu me alegro quando lembro de serviços públicos que me cuidam. Lixeiros, por exemplo.
Confesso, não cuido bem dos lixeiros como os lixeiros bem cuidam de mim. Quero aprender a transformar minha admiração pelos lixeiros em reconhecimentos e agradecimentos.
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Eu me entristeço quando lembro de muitos dos serviços públicos executivos, judiciários, legislativos. Há contradição entre sua missão – servir ao público – e sua realização. Cumprem mal suas missões, não fazem bem ao público.
Mas me alegro com outros serviços públicos – aqueles que tornam mais fácil a vida da população, inclusive a minha.
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Se a instituição pública não serve ao público, perde o sentido sua existência. Se o servidor público não serve ao público, perde o sentido a sua razão de ser.
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Polícia, por exemplo. Sua missão, bem cuidar da população. Este seu desafio.
Se a polícia bate, mata, morre – não educa nem a si nem à população – não serve para realizar a missão a que a instituição se destina – servir ao público. Mas, se a polícia se cuida, se educa - não bate, nem mata, nem morre – quero reconhecer, agradecer.
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Tudo começa em casa, lembro Winnicott. Talvez faça bem ao servidor público aprender bem se cuidar, ser bem educado consigo mesmo, com seus próximos, com seu público.
Imagino cada servidor público a cuidar de outros como bem cuide de si - cada servidor a amar ao próximo como a si mesmo. Afinal, a quem serve o servidor público?
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Um desafio – melhor pra todo mundo – o servidor público bem servir ao público. O servidor também é público.
Este mundo novo que cada um de nós, do seu jeito, está agora construindo, como será?
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Lembro o que há muito se desvendou - o que vale, mesmo, é a boa vontade. Se a boa vontade impera, impera o prazer - o medo já era.
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Se a instituição pública não serve ao público, perde o sentido sua existência. Se o servidor público não serve ao público, perde o sentido a sua razão de ser servidor.
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Mas, bom senso, se o serviço público bem serve à população, viva o servidor público. Cuidemos bem de cada servidor público como bem cuide de nós.
Luiz Fernando Sarmento
www.luizsarmento.blogspot.com
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