terça-feira, 29 de março de 2016

Em busca do prazer



Em busca do prazer

Um lugar – um país, uma cidade, bairro, uma roça, uma rua, um teto – onde as pessoas que aí vivam estejam também constantemente atentas ao presente, ao que está acontecendo a cada momento. Um lugar onde as pessoas ajam em função dos sentimentos e sensações que percebem em si.

Onde cada pessoa, conscientemente, consegue perceber e respeitar também os espaços – físico, psíquico, espiritual, integral – de outras pessoas com quem convive. Um lugar onde, em decorrência do acima suposto e em decorrência da racionalidade natural e da vida que aí frutificam, problemas econômicos e sociais perderiam suas fontes.

Neste lugar cada pessoa se percebe e se respeita. Sua moral é natural, não lhe foi ensinada como dogmas. Seu princípio é o prazer. Em função do prazer é que define o seu trabalho. O trabalho só tem sentido se é também fonte de seu prazer. Cada pessoa usufrui dos frutos do seu trabalho. Não se apodera do resultado do trabalho de outros.

Também em função do prazer é que busca novos conhecimentos. Não aceita os conhecimentos que lhe são impostos como verdades inquestionáveis: busca os novos conhecimentos em função das necessidades. 

Neste lugar cada pessoa tem consciência da liberdade que necessita ter e usufruir para que possa continuar vivo, emocionável, com brilho. Tem capacidade também de vivenciar suas dores e, com a vivência, crescer humanamente.


Emoções e transformações

Este lugar começa a existir para mim a partir do momento em que eu passo, em busca do prazer, a mudar meu comportamento em relação a mim próprio e em relação às pessoas com quem convivo: em casa, no trabalho, na rua, a todo momento.

Parece ser necessário, como base para uma mudança de comportamento, eu tomar consciência de meus próprios sentimentos e sensações. Também tomar consciência do que meus olhos, orelhas, nariz, boca e pele percebem do mundo ao meu redor. Na verdade, me permitir sentir, deixar fluírem as emoções.


Por sua vez, parece que as emoções geram transformações. Quando me emociono, sou depois diferente do que fui.

*

Este texto é parte das reflexões
que fiz e escrevi na década de 80.



Compõe o capítulo
Reflexões sobre o Homem Novo
que compõe meu livro



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