domingo, 27 de março de 2016

O melhor lugar do mundo



O melhor lugar do mundo

Incomoda-me a inflação, o trânsito, a burrice, poluição, pobreza, tudo que interfere no nosso bem-estar. Mas muitas vezes não consigo ver o que está atrás de tudo. E, mesmo quando tomo consciência, o salto para a ação como que fica reprimido.

Incomoda-me a angústia provocada pela não satisfação dos meus desejos mais profundos. Incomoda-me também as reclamações do meu corpo, com “doenças” muitas vezes provocadas pelas alterações físicas correspondentes às emoções suprimidas. Mas chega num ponto em que não dá para esperar amanhã. 

Os desejos estão aqui, agora. O medo, a culpa, o remorso, a timidez, a insegurança, até a falta de condições de realizar os desejos, vêm colados à vontade de gozar o prazer que a realização dos desejos traz.

Sinto que a diferença entre a vida e a morte em vida pode ser medida pelas tentativas que faço, indo à luta. Se respeito minha vontade, o que meu corpo pede, se quebro a moral que está grudada em mim, ai, que bom, junto com o prazer o charme, o me sentir bonito, inteligente, gostoso, vivo. 

Se não respeito os desejos que surgem em mim fico triste, burro, feio, duro, não há brilho nos meus olhos.

Não tem jeito, tenho que cuidar de mim. Até para poder me juntar a outros que sentem a vida. A esperança de que alguém vá cuidar de mim, de que uma revolução vai acontecer lá fora e de que pegarei o vácuo dela, sinto ser só esperança, anestesia.

*

Este texto é parte das reflexões
que fiz e escrevi na década de 80.


São parte do capítulo
Reflexões sobre o Homem Novo
que compõe meu livro




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