Só nos resta a vida
Ser humano. A história pode começar a partir da fecundação. Cada
um de nós tem uma história. A mente e o corpo de cada um retratam hoje as
experiências vividas por cada um. Somos únicos, cada um.
No útero as condições internas sofrem influência da mulher
gestante. Seu próprio corpo exprime também as experiências que ela própria
vivencia. Se angustiante, defende-se contraindo-se. Se repetidamente
angustiante, contraindo-se cronicamente. O ser humano, já no útero, sofre
pressões do seu meio ambiente.
No parto, tantas vezes, uma forte agressão, a separação da mãe,
o contato com seres humanos des-emocionados, frios, endurecidos. Depois,
no dia a dia, o não faz isto, cala a boca, não grite, não chore, não ria
alto, não esperneie, tire a mão daí.
E, a cada proibição, o corpo e a mente tendem a se adaptar. Até nos tornarmos estes seres que somos: angustiados, culpados, tortos, deformados. Uns mais, outros menos.
E, a cada proibição, o corpo e a mente tendem a se adaptar. Até nos tornarmos estes seres que somos: angustiados, culpados, tortos, deformados. Uns mais, outros menos.
O poder de cada um
É possível o ser humano ser ele próprio o ponto de partida para
a sua transformação pessoal? A realidade ao meu redor sempre foi, é na maioria
das vezes, tão incômoda, feia, que, para não sofrer, fujo dela. Fujo do
presente para o futuro ou para o passado.
Olho e não vejo, ouço e não escuto, pego, cheiro, provo e não
percebo.
Respiro mal: corto assim pela raiz a fonte de energia que não
consigo experimentar. Acredito mais no que me dizem do que eu próprio vivencio
em mim mesmo. Fui duramente orientado para isto. Acredito no futuro paradisíaco
prometido, e não acredito no presente infernal real.
Inferno e paraíso
Como recuperar o ser humano
natural em mim mesmo? Mesmo com dúvida, me sugiro: usar os sentidos. Não agir
mecanicamente. Atenção no presente. Ver, ouvir, provar, cheirar, tatear. Deixar
meu corpo se exprimir. Deixar meu corpo fazer o que nele é espontâneo. Deixar o
ar entrar e sair. Respirar. Perceber em mim mesmo as sensações e sentimentos
que este estar no presente proporciona.
Vivenciar o aqui e agora,
prazer e desprazer.
E para compreender tudo
isto, me informar. Wilhelm Reich é uma fonte: O amor, o trabalho e o
conhecimento são as fontes da vida. Deviam também governá-la.
*
Este texto é parte das reflexões
que fiz e escrevi na década de 80.
Integra o capítulo
Reflexões sobre o Homem Novo
que compõe meu livro
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