quarta-feira, 30 de março de 2016

Só nos resta a vida




Só nos resta a vida

Ser humano. A história pode começar a partir da fecundação. Cada um de nós tem uma história. A mente e o corpo de cada um retratam hoje as experiências vividas por cada um. Somos únicos, cada um.

No útero as condições internas sofrem influência da mulher gestante. Seu próprio corpo exprime também as experiências que ela própria vivencia. Se angustiante, defende-se contraindo-se. Se repetidamente angustiante, contraindo-se cronicamente. O ser humano, já no útero, sofre pressões do seu meio ambiente.

No parto, tantas vezes, uma forte agressão, a separação da mãe, o contato com seres humanos des-emocionados, frios, endurecidos. Depois, no dia a dia, o não faz isto, cala a boca, não grite, não chore, não ria alto, não esperneie, tire a mão daí. 

E, a cada proibição, o corpo e a mente tendem a se adaptar. Até nos tornarmos estes seres que somos: angustiados, culpados, tortos, deformados. Uns mais, outros menos.


O poder de cada um

É possível o ser humano ser ele próprio o ponto de partida para a sua transformação pessoal? A realidade ao meu redor sempre foi, é na maioria das vezes, tão incômoda, feia, que, para não sofrer, fujo dela. Fujo do presente para o futuro ou para o passado.

Olho e não vejo, ouço e não escuto, pego, cheiro, provo e não percebo.

Respiro mal: corto assim pela raiz a fonte de energia que não consigo experimentar. Acredito mais no que me dizem do que eu próprio vivencio em mim mesmo. Fui duramente orientado para isto. Acredito no futuro paradisíaco prometido, e não acredito no presente infernal real.

Inferno e paraíso

Como recuperar o ser humano natural em mim mesmo? Mesmo com dúvida, me sugiro: usar os sentidos. Não agir mecanicamente. Atenção no presente. Ver, ouvir, provar, cheirar, tatear. Deixar meu corpo se exprimir. Deixar meu corpo fazer o que nele é espontâneo. Deixar o ar entrar e sair. Respirar. Perceber em mim mesmo as sensações e sentimentos que este estar no presente proporciona.

Vivenciar o aqui e agora, prazer e desprazer.


E para compreender tudo isto, me informar. Wilhelm Reich é uma fonte: O amor, o trabalho e o conhecimento são as fontes da vida. Deviam também governá-la.

*
Este texto é parte das reflexões
que fiz e escrevi na década de 80.



Integra o capítulo
Reflexões sobre o Homem Novo
que compõe meu livro




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