Uma ideia,
a intenção de contribuir
para uma sociedade democrática.
Rodízio Criativo
Cuidar de quem cuida
Imagine uma instituição de
porte médio: empresa, serviço público, ong.... Em consenso interno,
trabalhadores de um setor – considerando o cumprimento do conjunto das suas
obrigações normais – liberam um ou mais do grupo, por um ou mais dias, para
visitarem-estagiarem em outros setores da instituição.
Esta a ideia básica. Parece
ser bom para a instituição que cada trabalhador, além da múltipla capacitação,
amplie sua visão de mundo, adquira outros conhecimentos e construa
oportunidades pessoais e profissionais. A prática tem ensinado o melhor
caminho. Aqui sinais de sucesso.
Retrato 1
Muitas vezes o trabalhador
não tem noção da importância do seu trabalho em relação ao conjunto da obra e
aos seus resultados. Desconhece desde a missão da instituição até o que se
passa em outros setores. Desestimulado, retém em si mesmo iniciativas e
possibilidades de soluções sobre o que profundamente conhece. Sente necessidade
de conhecer o todo, mas muitas vezes não tem consciência disto. Prevalece o
isolamento, a contenção.
Retrato 2
Um setor – o operacional,
por exemplo – é responsável por uma série de tarefas, relativas à manutenção
física da instituição. As tarefas normalmente são distribuídas entre os
trabalhadores que compõem o setor.
Rodízio
É colocado para os
trabalhadores do setor que poderão liberar um ou mais deles próprios para um
estágio-visita em outros setores da instituição, na medida em que consigam
distribuir todas as tarefas de sua responsabilidade entre os que permanecem no
seu próprio setor.
Os trabalhadores liberados
– por um dia ou uma semana, por exemplo – poderão, dentro da instituição a que
pertencem, escolher em que outro ou outros setores estagiarão-visitarão naquele
período.
Este estágio-visita,
naturalmente, poderá incluir a realização de tarefas específicas, se os
estagiários-visitantes desejarem e estiverem capacitados para tal.
Deverão permanecer normais
as atividades do setor que o trabalhador estagia-visita.
Prática
Como cooperante, já nos
últimos dias da assessoria que prestei ao Instituto Nacional de Cinema de
Moçambique – primeiro semestre de 1981 – sugeri o rodízio à direção e
trabalhadores.
No correr de abril de 2003
realizamos a experiência com o setor Operacional do Sesc Ramos, no Rio de
Janeiro, onde eu exercia a função de gerente-adjunto. Conversamos com os
trabalhadores e a ideia foi acolhida. Eles próprios se organizaram e,
semanalmente, escolheram dois dentre todos para usufruírem da oportunidade. Nas
semanas seguintes, novos dois. Conheceram praticamente todos os outros setores:
comunicação, matrícula, esportes, recepção, contabilidade, informática,
biblioteca, piscina, recreação infantil...
Muitos relataram, do
próprio punho, observações sobre a experiência, gratos e surpresos com as inFormações
acessadas e – quando com elas identificadas – com sua própria capacidade de
apreendê-las e praticá-las.
Resultados
Observou-se, dos relatos
dos estagiários-visitantes, o prazer em serem reconhecidos e em conhecerem
outros mundos-caminhos. Relações humanas e profissionais se fortaleceram.
Naturalmente, acredito, crescem o bem estar, o interesse, a produtividade, a
produção, os lucros sociais e econômicos. Criadas oportunidades, os trabalhadores
tendem a se organizar e vivenciar suas próprias experiências.
No conjunto, parece bom
para a instituição e para o trabalhador. Já o público usufrui dos atendimentos
precisos e das qualidades adicionadas a produtos e serviços.
*
Este texto é um dos capítulos que
escrevi
com a intenção de contribuir com
ideias e metodologias
para movimentos sociais e
individuais.
Só clicar.
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