Cultura pesada
Mandamentos, leis normatizam o que devo ser.
Se transgrido, o
castigo
– se não vier agora –
virá depois da morte.
Tento e tento cumprir as
normas.
Exame de consciência, arrependimento,
confissão, penitência.
Volto, em
estado de graça, a ser comedido.
Associo prazer a castigo.
O prazer se torna insuportável.
A alegria se torna insuportável.
Não me permito o amor.
Consigo um pouco seguir as leis.
Fraquejo, transgrido de novo e
repito o ciclo.
A moral – moralismo? –
toma espaço da ética original.
Internalizo a repressão.
Meu corpo traduz o que estou.
E, guerrilheiro de mim mesmo,
como uns docinhos aqui,
um prazer
solitário ali
– seriam substitutos de prazeres originais, válvulas de escape?
E
construo minhas verdades.
Supro meus vazios emocionais
com os objetos que agora desejo.
Me
engano que gosto.
Farinha pouca meu feijão primeiro.
E, paralelo, se eu não
posso, porque eles?
Meu umbigo é do meu tamanho.
Nada vejo em volta além de
mim.
Um tanto assim, mais ou menos,
sou um homem comum.
Quadro
pintado preto,
a realidade me salva com seus tons cinzas.
*
Este texto é parte de um dos
capítulos
- Visão de Mundo –
do livro que escrevi,
com a intenção de contribuir com
ideias e metodologias
para movimentos sociais e
individuais.
O livro, só clicar:
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