sexta-feira, 15 de abril de 2016

memória




Memória

Como no mito,
olho no espelho,
lembro e reflito


De Getúlio, lembrança vaga,
tostões, contos de réis...

De Juscelino, o Aerowillys,
o Peixe Vivo, 50 anos em 5...

De Jânio, a vassoura mágica,
o português formal...

De Jango, a movimentação popular,
o clima de animação, festa...

De Castelo Branco,
a ausência de alegria...

De Costa e Silva, os soldados,
como animais  presos,
a baterem, baterem, baterem...

De uma trinca militar, o silêncio,
a proibição das conversas,
a desconfiança...

De Médici, as mortes e mortes,
as torturas, as prisões, a bestialidade...

De Geisel,
a continuação da dureza...

De Figueiredo, os cavalos,
as besteiras, a boçalidade...

De Tancredo,
a esperança...

De Sarney,
a falsidade...

De Collor, as mentiras,
o trincado dos dentes...

De Itamar, o bem fazer inesperado,
a coragem do real...

De Fernando  Henrique,
o público a se tornar privado...

De Lula, a linguagem,
a novidade, a realidade,
gente que se parece comigo...

De Dilma, a mãe,
ética e firme...

E das mortes dos presidentes,
lembra?

Não sei como morreu Getúlio,
tenho dúvidas.

Não sei como morreu Juscelino,
desastre armado?

Não sei como morreu Jango,
morto a remédios?

Não sei como morreu Castelo Branco,
armado desastre?

Não sei como morreu Costa e Silva,
um morto falsamente vivo?

Não sei como morreu Tancredo,
baleado a queima roupa,
à porta da Catedral?

Não sei como morreu...?

E mais, quem lembra?
Quanto era o salário mínimo antes da era Lula?
60 dólares?

E em 2014, 12 anos depois,
300 e quantos dólares?

E governar, é mole?
Considerar o judiciário, o legislativo?
Administrar quem executa?

Eu mesmo, dos governos que vivi,
não lembro de época melhor.
Nunca vivi em tanta liberdade
de ir, de vir, falar, fazer...


Como no mito,
olho no espelho,
lembro e reflito




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