Olho ao redor
Montes de pessoas.
Alguns passam ao meu lado.
Um ou outro se sobressai.
Na maioria, sérios.
Uns tensos, outros calmos.
Uns assim, outros assado.
No chão, largados,
cada vez mais dois vezes dois.
Acostumo,
nem vejo quando não quero.
E crianças, com aquele olhar e tom de voz:
ei tio, me dá?
Isto aqui, em toda terra.
Nas favelas uns sons de tiros,
os silêncios que inocentam
quem não fala.
Quem cala, não falha.
Medo.
Nem em mim mesmo confio.
Nos subúrbios,
se não igual, semelhante.
Legal ou ilegal,
a droga muda o real.
Se não droga, consumo.
De tão conservador de tudo,
incho, engordo.
Acumulo, enfezo.
*
Este texto é parte de um dos
capítulos
- Visão de Mundo –
do livro que escrevi,
com a intenção de contribuir com
ideias e metodologias
para movimentos sociais e
individuais.
O livro, só clicar:
*
A imagem:
foto de grafite em parede da Visconde de Pirajá,
em Ipanema, Rio de Janeiro.
Falha minha, não anotei o autor.
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