quinta-feira, 19 de maio de 2016

desabafo incompleto




Escrevi, tempos atrás:


Desabafo incompleto

Sou dos últimos neuróticos?
Nascem, florescem pessoas,
sociedades sem culpa?

Nova fase da humanidade,
cada vez mais psicopática?

Pessoas e mais pessoas,
sem culpa,
fazem mal a outras?

Irresponsáveis  descuidam
de quem comandam,
sem considerar o mal
que fazem a outros, a si?

Subordinados adotam
visões de mundo
de psicopatas que os dirigem?

As Oi, as Tim, os Opportunity,
os Globo, as Veja, as Ambev...,
visões de mundo semelhantes,
pobres de afeto,
pobres de espírito,
causando mal a outros
tentam suprir vazios emocionais
de que fogem?

Quem colabora com instituições
que fazem mal a tanta gente
também é responsável
pelo mal que esta instituição
faz e provoca?

            Por outro lado,
quem a cultivar afetos?

Quem a colher abraços,
a espalhar carinho?

Quem a cuidar do outro?
Quem a cuidar de si
como cuida do outro?

E eu com isto?
Quais atos psicopáticos
eu próprio pratico?

Estes pequenos atos
- quando jogo lixo no chão,
  ando na contramão, furo sinal,
  deixo torneira aberta...
  pequenos mal sem culpa?

Psicopatas
os que produzem transgênicos?

Psicopatas
os corruptores, os corrompidos?

Psicopata
o colaborador conivente?
O consciente, o inconsciente,
o que mente nem sente?

Psicopatia, loucura?

            E eu,
prum mundo emocionalmente saudável,
o que está ao meu alcance?


Quais bancos, igrejas,
quais meios de comunicação,
quais governos, legisladores,
quais juizes, quais polícias,
que ditos serviços públicos
prestam serviços que me enlevam,
me fazem bem?
Quem deles necessita?


Psicopatas, insanos?
Nem manos, nem manas?
Uns bananas?
Uns sacanas?

Pobres de espírito,
cheios de grana?

Melhores são porcos na lama,
que se divertem
e mal não fazem?

Pobres de afeto, cheios de coisas,
acumulam dores
no corpo, na alma?

Em que canto se entocam,
estes boçais que se enganam?
Safados, brochas, molengas,
sádicos, capengas, tristes,
falsos, frios, insones,
infernam dentro de si?

Pobres de afeto,
ricos de coisas?


Se a carapuça lhe cai
- não fui eu, pentelho:
é o espelho?

Mas se sua criança, aquela dentro de si,
pede colo, imploro:
alimente seus afetos...

Faça por si, descubra quem ame,
desabafe, grite, chore, enlace,
descalce, assobie, dance,
banhe, brinque, abrace,
beije quem o deseje...

Isto tudo uma graça,

de graça...







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