quinta-feira, 19 de maio de 2016

servidores públicos



Tempos atrás, escrevi:

Na formação de servidores públicos...

...aqueles por quem trabalho
pra pagar os seus salários,
sejam políticos, policiais, garis,
qualquer um que viva
um tanto de mim

Enfim, falo de formação,
de cuidados, educação
pra quem se propõe
cuidar da população...

sugiro, desejo
o que pra mim,
pros meus filhos, amigos,
pra humanidade almejo:

eterno, terno aprendizado,
tipo conhecer um tanto a si mesmo,
conhecer seu próprio corpo,
onde tá bom, onde tá torto

aceitar um colo que,
por desventura, não teve

Que cada servidor público
experimente em si
o que se propõe cuidar em outros,
pra que conheça um tanto
a quem vão servir

Há gente que assim vive
e, pelo exemplo, ensina:
uma vida comum,
complexa e simples,
como qualquer um

Eu próprio, confesso,
aprendo tanto, tanto
com o tanto que ganho,
que talvez pra uns seja pouco,
pra mim uma dádiva:

vivo, como aposentado pelo inss,
do dinheiro que cada um,
que hoje trabalha,
hoje me presenteia...

como eu próprio presenteei,
aos aposentados de então,
durante os 50 anos que trabalhei

Aliás, modéstia à parte,
permaneço saudável,
sinto quase uma arte,
porque tento, agora mesmo,
fazer o bem, não importa a quem

Talvez esta formação que aqui sugiro
– e,  também, desejo a presidiários de fato,
a operários, comerciários,
bancários prisioneiros do trabalho –
possa incluir o que alegra,
faz bem a quem faz:

biodança, terapia comunitária,
conversas com quem sente,
reflete pratica a arte de viver bem
e sem grandes despesas

filósofos, psicoterapeutas, poetas,
palhaços, dançarinos, músicos,
artistas que no dia a dia
transformam limões em gargalhadas

Por outro lado, imagine,
quanto aprende sobre vida dura
quem vive um tanto de uma enxada,
anda de ônibus, enfrenta uma fila,
estuda numa pobre escola pública

Quanto aprende
quem vive com um salário mínimo,
vive numa prisão abarrotada,
mora numa favela,
tem intimidades reveladas

Quanto aprende
quem, em sofrimento,
espera atendimento
num hospital

E quanto aprende
quem suporta o ócio criativo,
o silêncio barulhento
da escuta de si mesmo...



Enfim, falo de formação,
de cuidados, educação
pra quem se propõe
cuidar da população...

Falo a aqueles por quem trabalho
pra pagar os seus salários,
qualquer um que viva
um tanto de mim

Imagine cada servidor público

– seja juiz, policial, político,
funcionário barnabé ou graduado,
qualquer um que está ali
para o bem de todos,
para a todos servir –

antes aprenda a viver
como um homem comum,
como qualquer um...

Desejo:
novos servidores públicos,
antes de se iniciarem na profissão,
passem por uma saudável,
amável formação

E, como entendi o Kant,
a quem fui recentemente apresentado
pelo Clóvis, o de Barros Filho:

cultivar o amor, a boa vontade,
pra que seu próprio talento

esteja a serviço da sociedade








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