Tempos atrás, escrevi:
Na formação de
servidores públicos...
...aqueles
por quem trabalho
pra
pagar os seus salários,
sejam
políticos, policiais, garis,
qualquer
um que viva
um
tanto de mim
Enfim, falo de formação,
de cuidados, educação
pra quem se propõe
cuidar da população...
sugiro, desejo
o que pra mim,
pros meus filhos, amigos,
pra humanidade almejo:
eterno, terno aprendizado,
tipo conhecer um tanto a si mesmo,
conhecer seu próprio corpo,
onde tá bom, onde tá torto
aceitar um colo que,
por desventura, não teve
Que cada servidor público
experimente em si
o que se propõe cuidar em outros,
pra que conheça um tanto
a quem vão servir
Há gente que assim vive
e, pelo exemplo, ensina:
uma vida comum,
complexa e simples,
como qualquer um
Eu próprio, confesso,
aprendo tanto, tanto
com o tanto que ganho,
que talvez pra uns seja pouco,
pra mim uma dádiva:
vivo, como aposentado pelo inss,
do dinheiro que cada um,
que hoje trabalha,
hoje me presenteia...
como eu próprio presenteei,
aos aposentados de então,
durante os 50 anos que trabalhei
Aliás, modéstia à parte,
permaneço saudável,
sinto quase uma arte,
porque tento, agora mesmo,
fazer o bem, não importa a quem
Talvez esta formação que aqui sugiro
– e,
também, desejo a presidiários de fato,
a operários, comerciários,
bancários prisioneiros do trabalho –
possa incluir o que alegra,
faz bem a quem faz:
biodança, terapia comunitária,
conversas com quem sente,
reflete pratica a arte de viver bem
e sem grandes despesas
filósofos, psicoterapeutas, poetas,
palhaços, dançarinos, músicos,
artistas que no dia a dia
transformam limões em gargalhadas
Por outro lado, imagine,
quanto aprende sobre vida dura
quem vive um tanto de uma enxada,
anda de ônibus, enfrenta uma fila,
estuda numa pobre escola pública
Quanto aprende
quem vive com um salário mínimo,
vive numa prisão abarrotada,
mora numa favela,
tem intimidades reveladas
Quanto aprende
quem, em sofrimento,
espera atendimento
num hospital
E quanto aprende
quem suporta o ócio criativo,
o silêncio barulhento
da escuta de si mesmo...
Enfim, falo de formação,
de cuidados, educação
pra quem se propõe
cuidar da população...
Falo
a aqueles por quem trabalho
pra
pagar os seus salários,
qualquer
um que viva
um
tanto de mim
Imagine
cada servidor público
– seja juiz, policial, político,
funcionário barnabé ou graduado,
qualquer um que está ali
para o bem de todos,
para a todos servir –
antes
aprenda a viver
como
um homem comum,
como
qualquer um...
Desejo:
novos
servidores públicos,
antes
de se iniciarem na profissão,
passem
por uma saudável,
amável
formação
E,
como entendi o Kant,
a
quem fui recentemente apresentado
pelo
Clóvis, o de Barros Filho:
cultivar
o amor, a boa vontade,
pra
que seu próprio talento
esteja
a serviço da sociedade
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