sexta-feira, 1 de abril de 2016

No quarto de brinquedos




No quarto de brinquedos

Quem beijou, beijou. 
Quem não beijou, beijará jamais? 
Beija! Beija! Beija! Beija já! 

Quando escolho o médico, escolho o tratamento. 
Se vou ao cirurgião, ele vai fazer o que?

E o homeopata, o pai-de-santo, o psicanalista? 
E nós? 
Somos dos que cuidamos dos sintomas
 – e tome aspirina? 
Somos dos que cuidamos das causas?

De longe se vê mais tudo. De perto se vê mais fundo. 
De longe, um sistema. De perto, práticas. 
Vamos pela aparente ordem. Eu sou você.


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A história pessoal a gente imagina, se não conhece: 
anterior à fecundação, mistério. 
Já na gestação, o estado emocional da mãe 
interfere no estar do filho.

Do ponto de vista do feto, 
um maremoto antecipa o parto: 
o que me espera do outro lado deste inconsciente paraíso? 

Se cesária, é ferro. 
Se minha mãe se entregou aos reflexos, 
ao invés de dor, prazer. 

Se recepção afetuosa, pulo pro colo, 
volto ao meu mundo que conheço, 
nestes primeiros momentos em espaço estranho.

Se recepção neurótica, 
me viram de cabeça pra baixo, 
batem na minha bunda, espetam meu pé, 
me enrolam em panos, me isolam no berçário, 
vislumbro gente do outro lado da vitrine, 
sinto medo e medo e em defesa me contraio. 

E choro e choro e meu choro 
não é compreendido. 
Quero mamãe. Um vazio dentro de mim.


. *
Este texto é parte de um dos capítulos
- Visão de Mundo –
do livro que escrevi,
com a intenção de contribuir com
ideias e metodologias
para movimentos sociais e individuais.

O livro, só clicar:









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