uma vida incomum como qualquer um 38
anotações
00
Em algum momento passado, remoto e recente,
cada letra, espaço, palavra, frase daqui. Em algum momento presente, já no
futuro, mistura de tempos.
01
Quando escrevo, me organizo. Lembro o que
sinto. Expresso meu mundo. Aprendo a me compreender, me aceitar. Facilita
aceitar o outro, diferente de mim e um tanto semelhante. Escrever é um risco.
Arrisco.
02
Wilhelm Reich me ajudou a eu próprio me
compreender, me aceitar, me desenvolver. O Combate Sexual da Juventude me
ajudou desculpabilizar--me em relação ao sexo. A Função do Orgasmo me ensina
como pode ser o processo. A Análise do Carater me dá métodos de me
cuidar. Tudo, naturalmente, do jeito que entendo a cada releitura.
03
A cartas trocadas por Ferenczi e Freud me
ensinam da amizade. Em cada consideração, algo que um oferece ao outro e a mim.
04
Freud se humaniza quando se expõe. Isto de
inconsciente e consciente me faz pesquisador de mim mesmo. Quanto mundo
reconheço em mim.
05
Compreendi melhor Laing, a pessoa, no seu Fatos
da Vida. Sua dedicação ao acolhimento do outro faz sentido com o que ele
próprio viveu. Antes ele tinha me tocado com o Laços. Ele fala de mim quando
fala do outro. Os chamados loucos têm um tanto de mim. Eu tenho um tanto dos
loucos. Acredito que como todos, ou quase todos, nós.
06
Winnicott dedicou a vida à pediatria e à
psicanálise. Tudo Começa em Casa é composto por palestras que fez
durante a vida. Cada capítulo se completa em si mesmo. É um livro póstumo. Mamãe
já morreu, mas hoje aprendo a melhor compreendê-la e amá-la com o que Winnicott
me oferece. A comunicação permeia todo o fazer. Sua insuficiência interfere nas
relações. A partir daqui interfere em tudo. A comunicação se dá com o outro e,
indo fundo, consigo mesmo. O pensamento já é mensagem.
Quando há realização de desejo de
compartilhamento de informações, as comunicações se iniciam. Quando eu próprio
entendo o que comunico – e o outro também – as comunicações se animam. Quando
eu entendo o que o outro me comunica, as comunicações se completam.
07
Bubber me ensinou que quando vejo uma árvore e
percebo suas características – o caule, as folhas, as raízes, as flores... – a
árvore está fora de mim, é um isto. Mas quando eu sinto a árvore, a
árvore sou eu, somos eu-tu. Eu-tu é um livro de Bubber.
08
Tostão me surpreende quando escreve sobre
futebol. Ali o futebol representa a vida. Tostão bate bola com insights.
Luiz
Fernando Sarmento
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